quarta-feira, 1 de junho de 2011

A Abadia de Northanger - Jane Austen





Sinopse:
"Quem tivesse visto Catherine Morland em criança, nunca poderia supor que nascera para heroína.” Até receber o convite da família Allen para passar uns dias no balneário de Bath, em Inglaterra, a jovem Catherine sentia-se amaldiçoada pela sorte. Todavia, nas termas descobre um mundo até então desconhecido e deixa-se seduzir pelos longos passeios, pelas compras, pelo teatro e pelos bailes bem frequentados. Completamente rendida à vida mundana, Catherine faz-se amiga da bela Isabella Thorpe e perde-se de amores por dois dos mais distintos jovens da cidade: o simpático John Thorpe e o espirituoso Henry Tilney. Mas é na visita à Abadia de Northanger, propriedade ancestral dos Tilney, que a nossa heroína, fascinada pelos romances góticos, vai viver a sua maior aventura. Mergulhada no espírito sinistro da majestosa mansão e completamente toldada por visões romanescas, Catherine imagina crimes, mistérios e conspirações. Serão as suas fantasias verdadeiras?"

Opinião:
Talvez este não seja o romance mais caprichoso ou mais admirável de Jane Austen, o que se deve, muito provavelmente ao facto de ter sido o primeiro que escreveu, e como tal a sua escrita denuncia uma visão menos madura e apurada que em obras posteriores, no entanto, esta é de entre as suas obras, a mais humorística e com a heroína mais despistada. Catherine Morland não é nem bonita, nem rica, nem culta e não tem qualquer experiência em sociedade, transporta os romances góticos que lê para a vida real e, como tem uma imaginação hiperactiva, imagina as situações mais atrozes. Como herói, temos Henry Tilney, basicamente o oposto de  Catherine, é mais velho, bonito e culto, bem-falante, vem de uma família rica e de renome e tem um sentido de humor muito apurado.  
Este livro faz um bom retrato do oportunismo e da ganância, das falsas amizades e da rudeza e de como uma rapariga ingénua e de boas intenções se deixa enganar pelas aparências e pela sua falta de experiência. Catherine é, mesmo assim, uma jovem confiável, bondosa e honesta, bastante divertida e inteligente cuja maior fraqueza está em só ver o bem em toda a gente. Apaixona-se rapidamente por Henry e este, só bastante tempo depois começa a ter intenções românticas para com ela. 
Este livro agrada-me particularmente devido à atmosfera descontraída, à personalidade despistada de  Catherine e basicamente tudo o que tenha que ver com Henry Tilney, que é essencialmente o retrato do homem perfeito. Não pude deixar de me irritar com o comportamento constantemente grosseiro e com as falsidades dos irmão Thorpe (John e Isabella) e com a indiferença e estupidez de Mrs. Allen e, a certo ponto do enredo, fiquei mesmo a odiá-los, e acho que o propósito da autora era mesmo esse.
Acho que o facto da heroína ler muitos romances góticos e de muitas situações servirem para os parodiar, dá um tom muito mais satírico à estória, o que me agradou bastante. 
É um livro de que gostei bastante e que recomendo, principalmente a quem goste de ler Jane Austen, mas que não incluiria na categoria das suas melhores obras, não deixando de ser um bom livro.


Personagens preferidas:
Henry Tilney 
Catherine Morland
Eleanor Tilney


Classificação: 4.5/5

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